sábado, 16 de agosto de 2008

PANACEA MUSICALIS - A música escrita no blog do Maldita...


LUGARES INCOMUNS
por Ricardo André

Nada de estranho em haver, numa cidade portuária como a New Orleans, LA, do final do século XIX, um bairro destinado à prostituição. Em algum dos mais de trinta quarteirões de Storyville (foto) a música, além do sexo, era presença garantida. Os inúmeros prostíbulos tinham sempre um piano pra animar os fregueses e o revezamento dos músicos fez florescer os ritmos que resultaram daquela mistura de experiências.

Geograficamente privilegiada (às margens do Rio Mississipi), New Orleans, catalisou a influência de instrumentistas que chegavam de todas as partes: Mississipi, Texas, meio-oeste, costa leste e até Califórnia. Esse caldeirão cultural credenciou à cidade o título de berço do Jazz, ainda mais considerando que Louis Armstrong - um de seus seminais expoentes - nasceu do ventre de uma das prostitutas que alegravam a noite de Storyville.

O bairro foi “lacrado” em 1917 em razão do aumento da criminalidade no local, servindo seu fechamento também para dar o exemplo à América que enfrentava a Primeira Grande Guerra. Sem espaço para tocar, os caras que ali ganhavam a vida subiram o Mississipi.

A industrializada Chicago, por onde passa imensa parte da maior malha ferroviária do mundo, foi o destino de muitos dos músicos vindos do Sul em busca de oportunidades. Repleta de cabarés e boates, as casas eram animadas pela música de artistas que acabaram por incrementar o consumo ilegal das bebidas alcoólicas, para alegria dos contrabandistas, que assim lucraram com a Lei Seca dos anos 20.

Mas foi em Nova York que se concentrou a indústria do entretenimento nos EUA. E para lá rumaram os artífices do que seria reconhecida como a música popular americana, em grande parte concebida pelos negros de New Orleans.

Especificamente em Tin Pan Alley - um trecho da Broadway onde se situavam as principais editoras musicais – se produzia, gravava e vendia a música daqueles que antes animavam os antros de Storyville e de Chicago. A música parida no “Beco da Panela de Lata” foi notável tanto do ponto de vista comercial como da própria cultura americana, com algumas gravações alcançando a casa dos milhões de cópias vendidas.

Claro que a música acolhida pelo mercado não tratava das dificuldades vividas pos vários de seus artífices. Os temas rentáveis cantavam um falso estado de coisas; uma América de paz, harmonia e prosperidade – ideal para os consumidores esquecerem de seus problemas pessoais. Ótimo para os empresários, bom para os músicos, estes mais preocupados em se alimentar e aqueles em enriquecer.

Em contraste com as letras que se traduziam em cifras, o clima em Tin Pan Alley não era muito dissonante dos bordéis de New Orleans e das enfumaçadas dance houses da Chicago de Al Capone.

Pela letra do blues “Tin Pan Alley”, escrita pelo editor musical Bob Gedding, gravada originalmente em Maio de 1953 e imortalizada pela guitarra de Stevie Ray Vaughan (and Double Trouble) dá pra ter uma noção do que rolava (não muito) longe dos gravadores dos predinhos da West 28th Street, entre Broadway e a Quinta Avenida. Vale a pena conferir a versão de estúdio, do álbum Couldn´t Stand the Weather e a - rica e intensa - versão ao vivo, do álbum In the Beginning. Embora este tenha sido lançado em 1992, traz um show de 1980 (em Austin, Texas), antes mesmo de Vaughan gravar seu primeiro disco, Texas Flood (em 1983). Indispensável.

Pois é. O tempo se encarregou de mostrar que os lugares mais inóspitos e marginais, injustamente tidos como sinônimo de esterilidade cultural, em verdade serviram de terreno fértil à formação de muito daquilo que hoje nos chega aos ouvidos. Seus recônditos bares acolheram instrumentistas das mais variadas origens, formações e influências.

Não há exagero em dizer que, do underground ao mainstream, devemos tudo à “vida bandida” daqueles que apontaram os holofotes da história para esses bairros malditos, valendo-se apenas da transcendência inspirada de seus instrumentos mágicos.

10 comentários:

Pâm SãoPauliNa-RP disse...

Olá tudo bem contigo??????
Nossa bairro destinado a prostituição? Vixii era complicado então heim??

Bom o contador pra vc colocar é facil, vai no meu blog e clique em cima do meu que vai abrir a pagina, ai é so vc ir em Contador Online e montar o seu..

qualquer coisa me grita no blog ok?

Bjss

Vinicius Grissi disse...

Aqui no Brasil isto também acontece, com a Boca do Lixo, importante local para o cinema brasileiro, mas que era conhecido pela prostituição e drogas.

Bela história.

Celamar Maione disse...

Gostei do momento cultural ! Muito interessante.
Valeu pela visita e pelas palavras " encorajadoras".
Eu só não entendi nada da porqueira do selo..hehehehhe ?!
Continuem agitando.
Boa semana para a galera toda "do Maldita ".
Beijos Leandro !!
Abraços Rosas da Gynalda. Byeeeeeeeee

Jornalista Azarado disse...

Olha, engana-se, e muito, aquele que vê na pobreza financeira, pobreza de talento. Seja com música, seja com esportes. Os maiores esportistas vêm de bairros humildes e grandes músicos também. esporte, música. Tudo a ver. Uma combinação deliciosa, tipicamente brasileira, em um processo que começou há mais de 500 anos... E que até hoje é sucesso no mundo inteiro. E claro, influências de todos os países são encontradas aqui. A Bossa Nova e o MPB são "discipulas" desse Jazz que vc citou...

Olha, se quiser troca de links/indicações, eu aceito. É só vc me linkar nesse blo g e me avisar que imediatamente lonkarei seu blog! Afinal, que brasileiro não gosta de falar sobre música e futebol??

Abços a todos!

Gremista Fanático disse...

OLÁ AMIGO, OBRIGADO PELA VISITA EM MEU BLOG, SEJA SEMPRE BEM VINDO. EU ME TORNAREI UM LEITOR DE SEU BLOG. GRANDE VITORIA DO VASCÃO CONTRA O coloradinho. VOCES COLOCARAM eles NO DEVIDO LUGAR. ABRAÇO. SAUDAÇOES DO GREMISTA FANÁTICO.

Jornalista Azarado disse...

Já está linkado parceiro! Virei aqui frequentemente!!

abços!!

INUTILIDADES disse...

Fala Rapaziada!!! valew pelo post la no meu blog..Que bom que gostaram.Espero mais visitas de vcs ,assim como eu passarei mais vezes por aqui.Se tiver algum material legal, manda pra mim que publicarei e ,claro,darei a fonte.Abraço

http://www.inutilidades-jds.blogspot.com/

Ricardo André disse...

Vinicus Grissi: Boca do Lixo! Grande gueto cinematogáfico tupiniquim!

Jornalista: ...e pensar que Stan Getz, em seu processo de distanciamento da heroína assassina, veio a topar com a música de Tom, aqui na brazuca... O albúm Getz/Gilberto, para falar o mínimo, mostra que a fusão deu certo.

Forte abraço a todos!

Maldita Futebol Clube disse...

RICARDO SEMPRE FANTÁSTICO, PARABÉNS MEU VELHO!

Maldita Futebol Clube disse...

pAM , O RICARDO É FERA! E OBRIGADO PELA DICA DO CONTADOR.

pOIS É VINICIUS A BOCA DO LIXO...BEM LEMBRADO. QUEM SABE NÃO INSPIRE NOSSO ESCRITOR PARA AMUSICALIDADE DE LÁ?

cELOMAR O SELO SOBRE ... É UMA MARCA DO MFC...E O MOMENTO CULTURTAL TB É UM "SELO mALDITA, SEMANAL pANACEA MUSICALIS.CULTURA A FLOR DA PELE.

jORNALISTA É REALMENTE UMA VERDADE, OS HUMILDES TEM TALENTO E LUTAM MAIS PARA MOSTRAR SEU DOM. QUE LEGAL SUA VIONDA AQUI, SEU BLOG É DEZ! BELEZA TA LINKADAO AQUI

INUTILIDADES QUE NADA, UM BLOG SUPOER DEZ QUE JÁ VIROU ATÉ FONTE DE INSPÍRAÇÃO PARA NÓS, BELEZA...TÁ LINKADO TB!

RICARDO ANDRÉ...CULTURA PURA, TALENTO COMO ESCRIBA E UMA MENTE REALMENTE BRILHANTE!PARABÉNS RA!

Perfeito!! Você esta plugado no Maldita Futebol Clube...Tá na boa, tá na área!!

Esse é um blog feito para rapaziada que curte um rock and roll, é aficcionada por seu time e ama rádio. Se você era fã do Maldita Futebol Clube está no lugar certo. Se você ainda não é fã, a hora é essa: Impasse Livre! Diariamente você nos acha por aqui. È muito bom ter a sua presença conosco. Critique, e participe, pois sua opinião é muito importante. Esse é o espírito do ILFC: Democracia, humor, irreverência. Informação com paixão! Mande e-mails para: impasselivre@yahoo.com.br.
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