quinta-feira, 5 de março de 2009

Imprensa mecânizada(?)


Escrevo esse post aqui, muito mais motivado pela microfonada na testa do "Fofômeno" ontem em Goiás e pela clausura dos pequenos orgãos de imprensa nos jogos do RJ. A avidez da imprensa ontem em Itumbiara tem nome e causa: Ronaldo. Mas, daí a entrar tipo F- 1 , com cada um querendo uma exclusiva palavra do cara como se fosse a última que ele iria dar, isso é dose pra mamute. Não é de hoje que copiando o modelo europeu, acabamos por cercear o livre da trabalho da imprensa com as coletivas. Sob a égide de se "profissionalizar" as coisas, sob a bandeira de se organizar as coisas, acabamos com as entrevistas "casuais" e criamos um padrão robôtizado e mecânico, onde perguntas e respostas acabam sendo aquela mesmice que vemos sempre. Um ou outro caso(Murycy, por exemplo) fogem do padrão e viram exceção a regra. Hoje, no Maracanã, as pequenas emissoras não podem ter mais dois repórteres de campo, salvo raras exceções e tem que se submeter ao jugo da poderosa "vênus platinada" que domina os principais orgãos de acesso e credenciamento da imprensa, delineam regras e limitam de forma "legal" o livre trabalho das concorrentes. O espaço destinado aos profissionais de imprensa é tido como o aquário, onde os peixinhos da imprensa ficam "presos". E do lado de fora, nas tribunas, só os principais colunistas conseguem um lugar decente, os demais tem que ficar na última fileira (com as cameras de Tevês impedindo sequer a boa visão do jogo). E quem não aceitar, que se dane!Tudo sob (a) moral: " somos os donos dos direitos do campeonato".A limitação do número de repórteres é segundo a de Platina, é em função da poluição visual da imagem, mas na realidade é porque o repórter global não pode ter ninguém atrapalhando as suas exclusivas. E nem ter ninguém mais esperto ou criativo que tire a atenção de seu entrevistado!Por isso, o Neto ontem chiou ao vivo: "os caras da outra emissora querem uma exclusiva com o Ronaldo". Isso antes de entrar em campo e ao fim o Mauro Naves soltou essa: "impossível entrevistar o Ronaldo, muita gente e confusão" E o narrador da emissora carioca completou: "Um absurdo". Queriam o quê?Que os demais repórteres não trabalhassem? Perá lá! menos um pouquinho. Eles compram o direito de transmissão de TV dos jogos, que sempre foram reportados também via rádio, jornais e net. Portanto, quando lá chegaram já sabiam como era e mudaram na marra, sob pressão ferrenha e política. Um absurdo. E os pequenos se revoltam, mas no fim se calam. È a ditadura "branca".Uma pena! Fica aqui o meu registro. Também por isso, quando vejo cenas como a da "microfonada" de ontem, não deixo de me lembrar do tempo em que as rádios tinham acesso aos vestiários e a entrevistar o jogador que quisessem, de acordo com suas pautas.Eram verdadeiramente livres. Ah, existia bagunça? Talvez! Mas, hoje também há...Por isso, hoje fico triste com a mecanização da estrutura - com a pretensa desculpa do "profissionalismo- que na realidade mascara outro fator: o político. Do "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Daqui há um tempo, tenho receio de que todos os outros meios de comunicação sejam cerceados em seu direito de informar e transmitir qualquer evento esportivo com essa ótica: do "comprei os direitos de transmissão". E aí estará decretado o fim da democracia na imprensa e todos teremos que nos submeter aos padrões "globais" de determinada em presa (a que for a dona dos direitos). Pela volta da liberdade- em sua plenitude- para os jornais, os jornalistas independentes e as rádios (principalmente) eu faço esse post. Uma visão muito particular do jornalista e professor, Leandro Carvalho, editor do Maldita FC. E você o que acha? Por hoje é só. Beijos do âncora.

4 comentários:

Gremista Fanático disse...

Cara eu concordo com voce quando diz que esta se formando uma ditadura nesse sentido e que com certeza devido ao grande poder das grandes empresas fatalmente as pequenas logo terão serio problemas se não for feito algo que as proteja. valeu.
Saudações do Gremista Fanático

Mengão Guerreiro disse...

Somos na verdade todos consumidores da Tv, e a exclusividade nas transmissões nos deixa sem opção de escolha do produto. Ou seja, somos obrigados a assistir jogos, entrevistas sempre com os mesmos narradores e com as mesmas perguntinhas.

Infelizmente a mídia no Brasil está tomando esse rumo nao só no futebol, mas em todas as áreas.

Concordo com vc.

Abços

Rosa Carvalho disse...

olá Meninos da MFC!!!
Concordo plenamente com o poder da mídia de sermos obrigados a assistir as transmissões sempre pelas mesmas pessoas, um absurdo deveriam dar oportunidade a outros repórteres. Bjs Rosa

Blog do PP disse...

Bela matéria! Abraço, PP

Perfeito!! Você esta plugado no Maldita Futebol Clube...Tá na boa, tá na área!!

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